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quarta-feira, abril 05, 2023

O conceito de proteção dos solos: O início

Por: Manoel Gomes

O SOLO FOI CONSIDERADO POR MUITO TEMPO UM RECEPTOR ILIMITADO DE SUBSTÂNCIAS NOCIVAS, MAS ISSO COMEÇOU A MUDAR NA DÉCADA DE 70.

O conceito de proteção dos solos
O solo considerado por muito tempo um receptor ilimitado de substâncias nocivas.

(HÍDRIA)- O conceito de proteção dos solos foi o último a ser abordado nas políticas ambientais dos países industrializados, bem como após os problemas ambientais decorrentes da poluição das águas terem sido tematizados e tratados.

Até então o solo foi considerado por muito tempo um receptor ilimitado de substâncias nocivas descartáveis, como o lixo doméstico e os resíduos industriais, com base no suposto poder de autodepuração, que leva ao saneamento dos impactos criados.

A partir da década de 70, isso começou a mudar, e o sinal de alerta foi dado pelo caso de Love Canal, nos Estados Unidos, que mostrou a complexidade e gravidade desse tipo de contaminação, provocado pela disposição irregular de resíduos industriais ao longo de 30 anos; e historicamente, deu origem a uma das primeiras leis sobre áreas contaminadas.

O caso Love Canal nos Estados Unidos
O caso Love Canal nos Estados Unidos acendeu o alerta sobre as áreas contaminadas.

Entretanto, aqui no Brasil, o conceito de áreas contaminadas, como um local cujo solo sofreu dano ambiental significativo que o impede de assumir suas funções naturais ou legalmente garantidas, é relativamente recente na nossa política ambiental.

O gerenciamento de áreas contaminadas tem como marco inicial, o estado de São Paulo em especial na Região Metropolitana de São Paulo devido ao forte crescimento industrial, sobretudo a partir dos anos 1950, muito antes da criação das primeiras normas ambientais que regulariam a emissão de poluentes industriais no meio ambiente, e que desencadearia adiante a formação dos chamados passivos ambientais.

Em 2002 o assunto passa a ser tratado com mais atenção e especificidade, com destaque sobre a importância de mobilizar ações para a reabilitação de áreas contaminadas de forma específica, assim como definir os órgãos que deveriam se responsabilizar sobre as questões das áreas contaminadas no estado (Resolução Conjunta SS/SMA nº 01 entre as Secretarias de Saúde e do Meio Ambiente).

 A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) ficou responsável por monitorar as áreas contaminadas e propor ações para remediações e reabilitações; e assim, estabeleceu uma parceria com o governo da Alemanha para capacitar equipes, e dessa parceria foi publicado em 1999 o Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas, e que apresenta como objetivo de gerenciamento de áreas contaminadas:

... minimizar os riscos a que estão sujeitos a população e o meio ambiente, em virtude da existência destas áreas, por meio de um conjunto de medidas que assegurem o conhecimento das características dessas áreas e dos impactos por elas causadas, propiciando os instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às formas de intervenção mais adequadas.

Para assegurar o conhecimento das características das áreas e impactos, e propiciar instrumentos à tomada de decisão quanto às intervenções mais adequadas, o manual apresenta como estratégia para o gerenciamento uma estrutura constituída por dois processos principais, denominados: 

  1. Processo de identificação; e,
  2. Processo de recuperação. 

E cada um desses processos é constituído por etapas sequenciais em que a informação obtida em cada etapa é a base para a execução da etapa seguinte.

Adicionalmente, também foram publicados o Relatório de Estabelecimento de Valores Orientadores para Solos e Águas Subterrâneas; o Guia para Avaliação do Potencial de Contaminação em Imóveis; e o Procedimento para Identificação do Potencial de Contaminação em Postos de Combustíveis com objetivos de orientar empreendedores por meio de recomendações para a identificação de possíveis contaminações em imóveis.

A seguir em 2000 são publicados o Procedimento para Ação Corretiva em Postos de Combustíveis, e Procedimentos de Gerenciamento de Áreas Contaminadas.

É de se notar que a lei nº 9.999 de 09 de junho de 1998, altera a lei nº 9.472 de 30 de dezembro de 1996, que disciplina o uso de áreas industriais. Nela observa-se no seu artigo 1º, que nas Zonas de Uso Predominantemente Industrial (ZUPI) poderão ser admitidos os usos residencial, comercial, prestação de serviços e institucional, quando se tratar de zona que tenha sofrido descaracterização significativa do uso industrial e não haja contaminação da área, mediante parecer técnico do órgão ambiental estadual, desde que o uso pretendido seja permitido pela legislação municipal.

Diante dessa alteração e possibilidade de admissão de usos em áreas que tenham sofrido descaracterização, foram publicados ainda em 2000, os Valores Orientadores para Solos e Águas Subaterrâneas, e as Ações Corretivas Baseadas em Risco Aplicadas a Áreas Contaminadas com Hidrocarbonetos Derivados de Petróleo e Outros Combustíveis Líquidos.

Toda essa instrumentalização culminou com a publicação da Resolução SMA nº 05 de 28 de março de 2001, que dispõe sobre a aplicação e o licenciamento ambiental das fontes de poluição a que se refere à Resolução CONAMA nº 273 de 29 de novembro de 2000.

Interessante, foi que essas Resoluções deram impulso significativo a temática sobre o impacto em solos e águas subterrâneas provenientes de fontes de poluição, hidrogeologia e hidroquímica, e ao mercado voltado ao diagnóstico de passivos ambientais.

O gerenciamento de áreas contaminadas
As legislações deram um impulso significativo ao diagnóstico de remediação de áreas contaminadas.

E assim, em maio de 2002, mais um passo sobre o conceito de proteção dos solos foi dado, e a CETESB divulgou pela primeira vez o Cadastro de Áreas Contaminadas, que mostrava na época, 255 áreas cadastradas no estado de São Paulo; e desde então a lista é atualizada continuamente.

domingo, maio 03, 2020

A Investigação Confirmatória

Por: Manoel Gomes

A INVESTIGAÇÃO CONFIRMATÓRIA REALIZADA NUMA ÁREA SUSPEITA DE CONTAMINAÇÃO, DEVE DECLARÁ-LA COMO CONTAMINADA OU NÃO.

(HÍDRIA)- A INVESTIGAÇÃO confirmatória tem como objetivo confirmar ou não a existência de contaminação numa área suspeita de contaminação (AS), e verificar a necessidade de uma investigação detalhada na área.

Área suspeita de contaminação (AS)

Área suspeita de contaminação (AS).

A metodologia envolve a execução de um plano de amostragem definido a partir do modelo conceitual inicial elaborado na etapa anterior de avaliação preliminar, onde são definidos os métodos de perfuração, quantidade, profundidade e localização dos pontos de amostragens, como também, as substâncias químicas de interesse, técnicas de amostragem, e preservação das amostras.

Os pontos de amostragens são posicionados estrategicamente, e realizadas as sondagens de reconhecimento e instalações de poços de monitoramentos para amostragens de solos e águas subterrâneas; e as amostras coletadas e preservadas são enviadas aos laboratórios químicos para análises das substâncias químicas de interesse.

De posse dos resultados é feita a interpretação, que consiste na comparação dos valores das concentrações obtidos nas análises químicas, com os valores de concentração estabelecidos em listas padrões de referência definidas pelos órgão ambientais. 

Por fim, o modelo conceitual inicial, deve ser  atualizado com a  localização das fontes de contaminação, fluxo preferencial da água subterrânea, e receptores expostos a contaminação, e a conclusão deverá declarar a área como contaminada (AC) ou não.

A investigação confirmatória encerra o processo de identificação de áreas contaminadas, e no caso da área ser declarada como contaminada, irá fornecer as informações para o planejamento da etapa seguinte de investigação de detalhe, já pertencente ao processo de recuperação de áreas contaminadas, como apresentando no Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas estabelecido pela CETESB em São Paulo (Figura) de acordo com Decisão de Diretoria 103/2007.

Fluxo das atividades de estudo da etapa de investigação confirmatória
Fluxo das atividades de estudo da etapa de investigação confirmatória.

De âmbito nacional, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), publicou em 22/03/2011 a norma NBR 15515-2 "Passivo Ambiental em Solo e Água Subterrânea Parte 2: Investigação confirmatória”, que estabelece os requisitos necessários para o desenvolvimento de investigação confirmatória em áreas onde foram identificados indícios reais ou potenciais de contaminação de solos e águas subterrâneas após a realização de uma avaliação preliminar, conforme ABNT NBR 15515-1.

sábado, abril 25, 2020

A filtração de amostras de águas subterrâneas

Por: Manoel Gomes

A DECISÃO DE FILTRAR OU NÃO AS AMOSTRAS DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS É IMPORTANTE PARA AVALIAR A CONCENTRAÇÃO DE METAIS NESSAS ÁGUAS.

(HÍDRIA)- A FILTRAÇÃO ou não de amostras, normalmente é usada para avaliar a concentração de metais totais e dissolvidos nas águas subterrâneas (AS); e os métodos de purga empregados durante as amostragens devem reduzir os distúrbios na coluna d’água do poço de monitoramento (PM) e evitar o arraste de partículas sólidas em suspensão, particularmente quando a amostragem é feita para análise de metais.


Filtragem de amostras
Filtragem de amostras.

O sistema de AS normalmente era visto por duas fases: (1) uma imóvel formada pelas rochas/solo, e (2) outra móvel, de água, cujas moléculas dissolvidas na AS são muito menores que 0,1 µm; entretanto, uma visão mais complexa, trata sobre a presença dos colóides, cuja mobilidade nas AS tem sido tratada de forma mais ativa nos últimos anos.


Essas partículas são muito pequenas com diâmetros que variam de 0,1 µm a 10 µm, e podem ser inorgânicas ou orgânicas com composições, cargas, e condições no aquífero que variam ao longo do tempo e espaço; por exemplo, partículas com diâmetros de cerca de 2 µm podem mover-se com a AS, e partículas maiores podem ser prisioneiras nos espaços porosos da matriz devido a gravidade (Figura 01).

Tamanho e classificação das partículas
Figura 01
Tamanho e classificação das partículas.

As partículas coloidais estão presentes naturalmente nas AS, mas podem ser liberadas, e suas concentrações podem aumentar durante a instalação do PM ou durante os processos de amostragem, sobretudo quando são usados métodos que provocam muita movimentação d’água dentro do poço, do filtro e préfiltro, e na formação geológica. 
Então, deve-se evitar que a fase coloidal intermediária que normalmente estaria imóvel sob condições naturais, aprisionadas na fase imóvel solo/rocha, torne-se móvel devido aos distúrbios provocados no fluxo da AS. 


Nos procedimentos de filtragem para amostragem de metais são usadas membranas de 0,45 µm, e chama-se a atenção que esse diâmetro de poro da membrana situa-se no meio do intervalo dos diâmetros, nos quais estão situados os diâmetros das partículas coloidais  (0,1 a 10 µm) e, portanto, não fornece um corte preciso entre as espécies dissolvidas e coloidais, ainda mais se considerarmos que as características de aquíferos e aquitardes, poços, e condições de amostragens, podem variar largamente. 


O procedimento de filtração de amostras de AS para a análise química remove partículas em suspensão que podem representar um depósito adicional de metais adsorvidos. 
A não filtração exige adição de ácido nítrico para preservação química de amostras, mas que libera os metais adsorvidos para a fase dissolvida, e, serão detectados em quantidades superiores em relação ao conteúdo originalmente dissolvido na amostra e, portanto, a decisão de filtrar a amostra é determinante no momento de se declarar uma área como contaminada. 


A filtração em campo é normalmente usada para remover sedimentos mobilizados durante a construção do PM e na amostragem, pois a inclusão dessas partículas em suspensão pode influenciar nas determinações analíticas, fornecendo resultados elevados e errôneos de substâncias móveis. 


Embora, o procedimento de filtração em campo com filtros de 0,45 m ignorem a presença de partículas coloidais na AS, o diminuto tamanho dos colóides, faz com que estes sejam móveis em vários sistemas de AS, e juntamente com suas elevadas superfícies específicas expostas ao meio, há um incremento das capacidades de sorção; e diante disso, tem-se mostrado que a associação de metais com colóides compreendem um importante mecanismo para transporte desses metais em AS. 
Para a origem e transporte de partículas coloidais nas AS, basicamente são necessários: 

  1. Uma fonte dessas partículas no meio; 
  1. Condições que promovam a suspensão ou estabilidade das partículas; e 
  1. Transporte advectivo sem filtração significativa ou interação superficial. 

O transporte começa com as partículas de tamanho correto a partir da fonte, como por exemplo, substâncias húmicas provenientes da zona vadosa, vírus e bactérias presentes em águas residuárias de fossas sépticas, macromoléculas variadas de lixiviados de aterros, sólidos precipitados a partir de soluções devido a supersaturação de uma fase mineral decorrente de abruptas mudanças na química da água por variações de pH, concentrações de ferro, ou potencial redox; e há também, outras partículas formadas por precipitação que podem ser pequenos metais sólidos ou radionuclídeos que se formam em reações de hidrólise. 


Mas a simples presença de colóides na AS não assegura que eles sejam transportados. Para o transporte é necessário que estejam estáveis. Essa estabilidade é determinada como resultado da competição entre as forças elétricas fracas de Van der Walls que atraem átomos e moléculas. Essas forças são criadas pelas oscilações superficiais na distribuição das cargas positivas e negativas envolvidas, e produzem forças eletrostáticas de atração entre cargas diferentes ou repulsa entre cargas similares. 


A carga superficial é o resultado de imperfeições ou substituições dentro da estrutura cristalina, ou reações de dissociação química na superfície da partícula. As substituições iônicas provocam uma distribuição de carga positivas ou negativas na rede cristalina. Este desbalanceamento de cargas é compensado por uma superfície de íons de carga oposta, que compreendem uma camada adsorvida de composição mutável, pois os íons dessa camada podem ser trocados continuamente por outros íons, e assim desbalanceando as cargas na rede cristalina.


Fonte:
SANTOS FILHO, M. G. dos. Comparação entre resultados analíticos de metais pesados obtidos de amostras não filtradas e filtradas amostradas pelo método de purga por baixa vazão. Uma contribuição ao gerenciamento de áreas contaminadas. In: XIX Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, 2016, Campinas. XIC Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, 2016.


terça-feira, abril 21, 2020

A Avaliação Preliminar

Por: Manoel Gomes

A AVALIAÇÃO PRELIMINAR É UMA AUDITORIA AMBIENTAL COM OBJETIVO DE DIAGNÓSTICO INICIAL DE ÁREAS COM POTENCIAL DE CONTAMINAÇÕES.

(HÍDRIA)- ESSE DIAGNÓSTICO é realizado através da coleta de dados existentes de diferentes fontes documentais de informação realizadas por diferentes motivos, mas que podem ser úteis nos estudo do histórico e meio-físico; e juntamente, com a realização de inspeções de reconhecimento na área por meio de vistorias detalhadas e entrevistas, é elaborado um modelo conceitual inicial, que é uma síntese das informações obtidas que representa a situação da área quanto a possível contaminação dos solos e águas subterrânea e sua relação com a vizinhança.


A avaliação preliminar
Consulta de fontes documentais de informação.

A avaliação preliminar é a etapa que irá fornecer as informações para o planejamento da etapa seguinte de investigação confirmatória, como apresentando no Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas publicado pela CETESB em São Paulo (Figura 01) de acordo com sua * Decisão de Diretoria nº 38/2007/C de 07 de fevereiro de 2017.

* "Dispõe sobre a aprovação do “Procedimento para a Proteção da Qualidade do Solo e das Águas Subterrâneas”, da revisão do “Procedimento para o Gerenciamento de Áreas Contaminadas” e estabelece “Diretrizes para Gerenciamento de Áreas Contaminadas no Âmbito do Licenciamento Ambiental”, em função da publicação da Lei Estadual nº 13.577/2009 e seu Regulamento, aprovado por meio do Decreto nº 59.263/2013, e dá outras providências".

Fluxo das atividades de estudo da etapa de Avaliação Preliminar
Figura 01

Fluxo das atividades de estudo da etapa de Avaliação Preliminar.

De âmbito nacional, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), publicou em 10 de dezembro de 2007 a norma NBR 15515-1 "Passivo Ambiental em Solo e Água Subterrânea Parte 1: Avaliação Preliminar", redigida com base na norma americana ASTM 1527 e estabelece os procedimentos mínimos de identificação de passivos ambientais.


domingo, abril 19, 2020

O Uso de Poços de Monitoramento

POÇOS DE MONITORAMENTOS SÃO INSTRUMENTOS INSTALADOS DE ACORDO COM O CONHECIMENTO HIDROGEOLÓGICO LOCAL E NORMAS TÉCNICAS PARA ACESSO ÀS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS.

(HÍDRIA)- OS OCEANOS são os maiores reservatórios e repositores de água do planeta, e os rios e lagos os mais importantes reservatórios de água doce disponíveis e de fácil acesso para a população humana. No entanto, são os imensos reservatórios de água subterrânea que armazenam cerca de 30% de toda a água doce. 

As águas armazenadas nesses aquíferos foram, e ainda são extraídas continuamente por populações durante séculos em todas as partes do mundo, sobretudo dos aquíferos não confinados ou freáticos vulneráveis a atividade humana diretamente acima delas, por não possuírem camada de baixa permeabilidade ou impermeáveis sobre elas. 

A água subterrânea representa um dos bens a proteger mais sensível e, ao mesmo tempo, é um importante meio de propagação de plumas de contaminações de áreas contaminadas que pode afetar outros bens a proteger, principalmente a saúde humana. 

As contaminações ocorrem tanto por motivos antrópicos quanto por motivos naturais, e as plumas contaminantes resultantes dessas fontes, são também uma das maiores preocupações ambientais, pois poucas quantidades de líquidos contaminantes geram uma grande quantidade de contaminação. 

A mobilidade dos contaminantes a partir da uma fonte, e sua propagação como uma pluma de contaminação nos solos e águas subterrâneas, está sujeita a mecanismos físico químicos e hidrogeológicos, bastante complexos; por exemplo, os metais pesados como cádmio, cromo, chumbo e mercúrio, apresentam baixa mobilidade em muitos ambientes naturais, mas este comportamento pode ser alterado sob forte mudança nas condições físico químicas (pH e Eh). 

Para os estudos de qualidade, fluxo das águas subterrâneas, e mobilidade dos contaminantes a partir de uma fonte, são utilizados poços de monitoramentos (Figura 01) que são perfurações estrategicamente construídas, de acordo com o conhecimento hidrogeológico local e normas técnicas, que dão acesso às águas subterrâneas para:

  • Medidas de nível d’água para elaboração de mapas de fluxo da água subterrânea.
  • Realizar ensaios e obter propriedades hidrogeológicas de aquíferos e aquitardes.
  • Coletar amostras para caracterização hidroquímica, investigação de contaminação, extensão e migração das plumas dessas contaminações.

Portanto os poços de monitoramento são instrumentos de monitoramento que devem ser projetados e construídos para serem confiáveis e adequados às necessidades de cada projeto.


Figura 01
Seção esquemática de um poço de monitoramento.

Fonte:
SANTOS FILHO, M. G. dos. Comparação entre resultados analíticos de metais pesados obtidos de amostras não filtradas e filtradas amostradas pelo método de purga por baixa vazão. Uma contribuição ao gerenciamento de áreas contaminadas.. In: XIX Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, 2016, Campinas. XIC Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, 2016.

domingo, novembro 08, 2015

O Gerenciamento de Áreas Contaminadas

Por Manoel Gomes

O GERENCIAMENTO TÉCNICO DOS ASPECTOS AMBIENTAIS DE UM EMPREENDIMENTO É A MELHOR FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS, MINIMIZAR RISCO, E EVITAR INFRAÇÕES.

(HÍDRIA)- O GERENCIAMENTO de áreas contaminadas tem por objetivo minimizar os riscos a que estão sujeitos à população e o meio ambiente, por meio de um conjunto e medidas que assegurem o conhecimento dessas áreas e dos impactos por elas causados, proporcionando os instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às formas de intervenção mais adequadas.

Com o objetivo de otimizar recursos técnicos e econômicos, a metodologia utilizada no gerenciamento de áreas contaminadas baseia-se em uma estratégia de identificação e recuperação, constituída por etapas sequenciais, em que a informação obtida em cada etapa é a base para a execução da etapa seguinte.

Os serviços das etapas do gerenciamento de áreas contaminadas são: Avaliação preliminar; Investigação confirmatória; Investigação de detalhe; Análise de risco à saúde humana; Concepção de sistemas de remediação; Remediação; Operação de sistemas de remediação; Monitoramento de eficácia e eficiência; Monitoramento para encerramento; Descomissionamento.

O Gerenciamento de Áreas Contaminadas

São necessários estudos adequados para minimizar os riscos.

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sábado, setembro 26, 2015

O desenvolvimento de poços de monitoramento

Por Manoel Gomes

O DESENVOLVIMENTO ADEQUADO DOS POÇOS DE MONITORAMENTO GARANTE AS PROPRIEDADES HIDRÁULICAS DO POÇO E QUALIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO PROCESSO DE AMOSTRAGEM PARA ANÁLISES QUÍMICAS PARA OS ESTUDOS E EXIGÊNCIAS LEGAIS. 

(HÍDRIA)- O DESENVOLVIMENTO de poço pode ser definido como o conjunto de procedimentos técnicos necessários para que sejam restabelecidas as condições naturais de um meio aquífero que sofreu interferências devido às ações exercidas pelas operações de perfuração.

Sabemos que os poços de monitoramento devem ser construídos de forma racional de acordo com as normas e objetivos para os quais devemos atender em nossos estudos, pesquisas, e exigências legais. Esses poços de monitoramentos devem fornecer informações sobre as:

  • Propriedades geológicas e hidráulicas de aquíferos e aquítardes.

  • Superfícies potenciométricas das unidades hidrogeológicas de interesse.

  • Qualidades das águas subterrâneas nas unidades de interesse.

  • Características de migração de substâncias naturais e/ou antropogênicas nas águas subterrâneas.

No processo de instalação de poços de monitoramento deve-se dar muita atenção ao desenvolvimento desses poços. Muitas vezes esse processo é negligenciado, mal conduzido, e se não bem feito, o poço não fornecerá os dados representativos desejados para se alcançar os objetivos previstos, quanto a hidráulica e hidroquímica do sistema em estudo. Na busca desses dados representativos os poços devem ser muito bem desenvolvidos com a finalidade de:

  • Retificação dos danos, ou seja, entupimentos dos poros da formação.

  • Colmatação da parede do furo ou compactação do furo, causados durante a perfuração que possam alterar a condutividade hidráulica local da formação adjacente (Figura 01).

É de se notar que um dos objetivos do desenvolvimento é corrigir os danos causados na parede do furo durante a perfuração, tais como a camada de materiais mais finos que acumulam na parede do furo quando são usados métodos de perfuração que utilizam fluidos de perfuração.

Seção construtiva esquemática de um poço de monitoramento. O desenvolvimento adequado deve remover as partículas finas provenientes do solo perfurado e do pré-filtro instalado entre o tubo filtro e o solo

Figura 01
Seção construtiva esquemática de um poço de monitoramento. 
O desenvolvimento adequado deve remover as partículas finasprovenientes do solo perfurado e do pré-filtro instalado entre o tubo filtro e o solo.

  • Estabilização do material da formação e da seção filtrante adjacentes ao tubo-filtro do poço (Figuras 02 e 03). Aqui é de se notar que após o desenvolvimento do poço, os materiais da formação em poços desenvolvidos devem se estabilizar, de modo que a entrada de materiais de granulometria fina seja minimizada e que não haja sedimentação no fundo.

    Arranjo dos materiais da formação após o desenvolvimento

    Figura 02
    Arranjo dos materiais da formação após o desenvolvimento.


remoção do líquido perdido durante a perfuração

Figura 03
 Remoção do líquido perdido durante a perfuração.

  • Remoção dos materiais de granulação fina da formação e do pré-filtro, mobilizados durante a instalação do poço, e de fluidos de perfuração que podem interferir na qualidade e representatividade das amostras (Figura 03).

É também de se notar, que quando são usados líquidos de perfuração à base de água, uma fração deles pode infiltrar além da perfuração, para zonas de maior permeabilidade. Um dos objetivos é remover os líquidos de perfuração perdidos para a formação.

  • Maximizar a eficiência do poço e a comunicação entre o poço e a formação adjacente, para se obter dados representativos da hidráulica da formação e qualidade das águas.

No âmbito nacional, temos a norma brasileira ABNT NBR 15495-22 de 21/08/2008. Poços de monitoramento de águas subterrâneas em aquíferos granulares. Parte 2: Desenvolvimento, que trata do desenvolvimento de poços de monitoramento instalados em aquíferos granulares. A norma tem como escopo apresentar o métodos e procedimentos aplicáveis no desenvolvimento de poços de monitoramentos instalados em aquíferos granulares.

Fonte: norma brasileira ABNT NBR 15495-22 de 21/08/2008. Poços de monitoramento de águas subterrâneas em aquíferos granulares. Parte 2: Desenvolvimento.

terça-feira, setembro 08, 2015

Sondagens de reconhecimento dos solos

Por Manoel Gomes

O USO DE SONDAGENS DE RECONHECIMENTO DOS SOLOS PERMITEM CARACTERIZAR E CLASSIFICAR OS SOLOS, PARA PREVER SEUS COMPORTAMENTOS MECÂNICOS, HIDRÁULICOS, E QUÍMICOS.

Amostragem de reconhecimento de solos

Amostragem de reconhecimento de solos.

(HÍDRIA)- Os estudos ambientais de caracterização hidrogeológica devem ser precedidos de estudos para caracterização geológico geotécnica da área de interesse, com objetivo de caracterizar e classificar os solos para prever os seus comportamentos mecânico e hidráulico em obras meio ambiente, conhecendo-se ao mesmo tempo, as suas formas de ocorrência e a geometria das camadas nos locais de estudo.

A base da caracterização é a descrição dos aspectos de interesse durante e após a execução das perfurações que podem feitas por métodos manuais ou mecânicos. 

As descrições realizadas em exposições de solos por escavações e em sondagens, aliadas a ensaios expeditos e de laboratório, permitem elaborar, de forma bastante complexa, mapas e seções representativas dos grupos de solos, quanto à gênese e ao comportamento geotécnico esperado.

Para fins de estudos de contaminação, as amostragens realizadas durante as sondagens devem ser as mais representativas do meio estudado, e são realizadas de acordo com os objetivos dos projetos propostos. 

Nessas amostras podem ser realizadas análises químicas de metais, compostos orgânicos voláteis e semivoláteis, análises físicas de densidade, granulometria, mineralogia, e análises microbiológicas.

No Estado de São Paulo, a CETESB através do Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas, estabelece diretrizes para um plano de amostragem, onde são considerados a distribuição dos pontos de amostragem, número de pontos de amostragem, profundidade de amostragem, quantidade de amostra necessária, amostras simples e compostas, protocolos de amostragem e preparação de amostras de solo, e técnicas de amostragem.

Também, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), publicou as normas NBR 15492 “Sondagem de reconhecimento para fins de qualidade ambiental: Procedimento”, que estabelece os requisitos exigíveis para a execução de sondagem de reconhecimento de solos e rochas para fins de qualidade ambiental.