quarta-feira, outubro 22, 2025

Riscos de contaminação das águas subterrâneas: As lembranças de um Boletim técnico (Parte 02)

 Por: Manoel Gomes

UMA BREVE LEMBRANÇA SOBRE PROCESSOS DE ATENUAÇÃO NATURAL EM PERFIS NÃO SATURADOS E SATURADOS (Parte 02).

Vamos continuar a conversa sobre o comportamento de contaminantes em subsuperfície, que iniciamos anteriormente na Parte 01, e continuo com a idéia de relembrar uma publicação que estava perdida na minha estante, e creio eu, muitos que começaram na área de hidrogeologia voltada a coontaminação das águas subterrâneas usaram na década de 90. Quem não se lembra do Boletim n° 10 do Instituto Geológico: Determinação de riscos de contaminação das águas subterrâneas: Uma metodologia embasada em dados existtentes (Figura 01).

Figura 01- Capa do Boletim 10
do Instituto Geológico.

(HÍDRIA)- Vou continuar e reviver um pouco mais sobre O Comportamento de Constituintes das Águas em Subsuperfície, que inícia o Capítulo 1: O RISCO DE CONTAMINAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS. O Boletim é estruturado em itens e cada parágrafo é um subítem com conceitos preciosos sobre o comportamento de contaminantes.

As normas de qualidade de água apresentam alguns constituintes de importância organoléptica ou estética, ou seja, são coonstituintes que são perceptíveis pelos sentidos humanos, como cor, cheiro e sabor, e ocorrem com bastante frequência nas águas subterrâneas, como: cloreto, sulfato, sódio, ferro e manganês, com origem muitas vezes associada a causas naturais, devido a interação rocha - água.

Um dos inorgânicos mais problemáticos é o nitrato, devido à sua ampla distribuição, elevada mobilidade em subsuperfície, estabilidade em sistemas aeróbicos de águas subterrâneas, e risco à saúde humana.

Já os meteais pesados, como cádmio, cromo, estanho, mercúrio, são imoblilizados por precipitação e outros processos químicos em muitos aquíferos; entretanto, Eh e pH muito baixos, podem permitir a mobilidade destes elementos no sistema subterrâneo.

Os constituintes orgânicos, como as sintéticas halogênadas do ggrupo alifático e aromático, representam ameaça à qualidade das águas subterrâneas e à saúde humana. São substâncias moderadamente solúveis em água, relativamente móveis e persistentes em subsuperfície e de uso amplo na indústria, como solvente, desinfetante e desodorante sintético. Os baixos valores de concentrações nas recomendações de potabilidade tornam muitos deles altamente preocupantes em eventos contaminantes.

Cabe mencionar que a maioria dos pesticidas citados nos guias de referência de qualidade, apresentam forte sorção no solo, e pode resultar em baixa probabilidade de contaminação das águas subterrâneas. No entanto, ainda há muitos estudos para serem desenvolvidos, sobretudo em solos tropicais, e à falta de evidências médicas.

Também, temos que ter em mente que aquíferos superficiais são suscetíveis à contaminação microbiológica, e as recomendações da OMS, para a qualidade bacteriológica de água para o corpo humano, não consideram satisfatórias as amostras com presença de bactérias indicadoras: coliformes fecais, em qualquer amostra.

Você que está lendo agora este texto, deve estar atento, pois à época raramente eram citados, hoje os chamados contaminantes emergentes (CE). Essas substâncias tiveram seus alavancados a partir dos anos 2000, pois tornaram-se cada vez mais comuns, devido ao número crescente de geração desses produtos, e consequente descarte no meio ambiente, principalmente nos curssos d'água; no entanto, passsadas duas décadas, ainda há carência de dados referentes à sua ocorência em matrizes ambientais brasileiras.

A expressão contaminantes emergentes é uma alusão aos produtos tóxicos que não são removidos ou eliminados pelos processos tradicionais de tratamento de água, e cuja presença pode causar danos ao meio ambiente e à saúde humana. Entre essas substâncias estão os hormônios endógenos, homônios sintéticos, anticoncepcionais, fármacos de diversas composições, cafeína, sucralose, nanomateriais, bactericídas, protetores solares, produtos de coloração e higiene pessoal, e ozonização de águas, herbicidas e perticidas, e drogas ilícitas.

Os contaminantes emergentes são ainda pouco conhecidos em relação a sua presença, impacto e tratamento, e egundo o professor Eduardo Bessa Azevedo, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, o Brasil ainda não possui uma legislação que determine quantidades seguras desses contaminantes na água. O Professor ainda enfatiza que são substâncias encontradas em pequenas concentrações, mas que, se consumidas por anos, podem trazer algum risco.

domingo, outubro 12, 2025

Riscos de contaminação das águas subterrâneas: As lembranças de um Boletim técnico (Parte 01)

Por: Manoel Gomes

UMA BREVE LEMBRANÇA SOBRE PROCESSOS DE ATENUAÇÃO NATURAL EM PERFIS NÃO SATURADOS E SATURADOS (Parte 01).

Vamos falar um pouco sobre o comportamento de contaminantes em subsuperfície, e a idéia deste texto, também é relembrar uma publicação que estava perdida na minha estante, e creio eu, muitos que começaram na área de hidrogeologia voltada a coontaminação das águas subterrâneas usaram na década de 90. Quem não se lembra do Boletim n° 10 do Instituto Geológico: Determinação de riscos de contaminação das águas subterrâneas: Uma metodologia embasada em dados existtentes (Figura 01).

Figura 01- Capa do Boletim 10
do Instituto Geológico.

(HÍDRIA)- Vou reviver um pouco sobre O Comportamento de Constituintes das Águas em Subsuperfície, que inícia o Capítulo 1: O RISCO DE CONTAMINAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS. O Boletim é estruturado em itens e cada parágrafo é um subítem com conceitos preciosos sobre o comportamento de contaminantes.

Sabemos que os perfis de solos atenuam um grande número de contaminantes da água, e foi prática comum durante muitos anos, considerar esees sistemas como efetivos para a degradação de substâncias contaminante (Figura 02); no entanto, também sabemos que o solo possui capacidade de atenuação, porém não totalmente. 

Uma vez lançado ao solo, na zona não saturada, a atenuação continuará mesmo em menor grau em maiores profundidades, e ao atingir a água subterrânea haverá diluição devido ao fluxo subterrâneo (Figura 02). Tal diluição poderá aindas ser maior se houver fluxos induzidos por poços em regime de bombeamento.

Figura 02- Resumo dos processos de atenuação de contaminantes
nas águas subterrâneas (FOSTER & HIRATA, 1993).

Entretanto temos de ter em mente que, os perfis de solos e os condicionantes hidrogeológicos não possuem o mesmo comportamento na atenuação do contaminantes. A atenuação  variará amplamente, segundo o tipo o tipo de contaminante, e os processos num dado ambiente.

Veja que o entendimento desses processos de atenuação e a avaliação correta dessas moficicações são fundamentais para a determinação do risco das águas subterrâneas. Repare que a atividade humana em superfície pode alterar e induzir novos mecanismos de recarga num aquífero, modificando a taxa, frequência, e a qualidade da recarga de águas subterrâneas. 

Em muitos casos, o fluxo das águas subterrâneas e o transporte de contaminantes da superfície até o nível freático tendem a ser um processo lento em muitos aquíferos (Figura 03), talvez anos ou décadas, até que um evento contaminador com produtos persistentes e móveis atinja um poço em exploração. É importante notar que a procupação aumenta quando se trata de aquíferos não confinados, especialmente onde os níveis freáticos são pouco profundos. Também significativa a preocupação em aquíferos semi confinados com camadas confinantes delgadas e permeáveis.

Figura 03- Regimes ilustrativos dos fluos hipotéticos
de águas subterrâneas (FOSTER & HIRATA, 1993). 

Lembre que extração de água potável de aquíferos profundos e muito confinados, também podem ser afetados quando eventos de contaminantres envolver substâncias muito persistentes, em prazos muito longos.

É necessário analisar criticamente as recomendações legais para a qualidade de água potável e suas relações específicas com a contaaminação das águas subterrâneas (Figura 04). É importante mencionar que em termos gerais, existe a possibilidade de auto eliminação de contaminantes durante o transporte em subsuperfície, como resultado da degradação e/ou reações químicas.

Os processos de retardação do contaminante devido a fenômenos de sorção, são igualmente importantes (Figura 04). Mesmo que tais fenômenos não conduzam a uma eliminação das substâncias, incrementam o período de permanência, permitindo que os processos de eliminação atuem mais efetivamente.

Figura 04- Recomendações para a qualidade de água potável
e comportamento de contaminantes no solo (FOSTER & HIRATA, 1993).

Fonte- Determinação do risco de contaminação das águas subterrâneas: Um método baseado em dados existentes  / Stephen Foster, Ricardo Hirata; tradução de Ricardo Hirata, Sueli Yoshinaga, Seiju Hassuda, Mara Iritani. São Paulo: Instituto Geológico, 1993. p. il., 23cm. (Boletim, 10).

Link (versão digital), disponível em <https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/sites/233/2019/02/Boletim_IG_10_Determinacao_de_Riscos_de_Contaminacao_das_Aguas_Subeterraneas-1994.pdf>