Por: Manoel Gomes
UMA BREVE LEMBRANÇA SOBRE PROCESSOS DE ATENUAÇÃO NATURAL EM PERFIS NÃO SATURADOS E SATURADOS (Parte 02).
Vamos continuar a conversa sobre o comportamento de contaminantes em subsuperfície, que iniciamos anteriormente na Parte 01, e continuo com a idéia de relembrar uma publicação que estava perdida na minha estante, e creio eu, muitos que começaram na área de hidrogeologia voltada a coontaminação das águas subterrâneas usaram na década de 90. Quem não se lembra do Boletim n° 10 do Instituto Geológico: Determinação de riscos de contaminação das águas subterrâneas: Uma metodologia embasada em dados existtentes (Figura 01).
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| Figura 01- Capa do Boletim 10 do Instituto Geológico. |
(HÍDRIA)- Vou continuar e reviver um pouco mais sobre O Comportamento de Constituintes das Águas em Subsuperfície, que inícia o Capítulo 1: O RISCO DE CONTAMINAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS. O Boletim é estruturado em itens e cada parágrafo é um subítem com conceitos preciosos sobre o comportamento de contaminantes.
As normas de qualidade de água apresentam alguns constituintes de importância organoléptica ou estética, ou seja, são coonstituintes que são perceptíveis pelos sentidos humanos, como cor, cheiro e sabor, e ocorrem com bastante frequência nas águas subterrâneas, como: cloreto, sulfato, sódio, ferro e manganês, com origem muitas vezes associada a causas naturais, devido a interação rocha - água.
Um dos inorgânicos mais problemáticos é o nitrato, devido à sua ampla distribuição, elevada mobilidade em subsuperfície, estabilidade em sistemas aeróbicos de águas subterrâneas, e risco à saúde humana.
Já os meteais pesados, como cádmio, cromo, estanho, mercúrio, são imoblilizados por precipitação e outros processos químicos em muitos aquíferos; entretanto, Eh e pH muito baixos, podem permitir a mobilidade destes elementos no sistema subterrâneo.
Os constituintes orgânicos, como as sintéticas halogênadas do ggrupo alifático e aromático, representam ameaça à qualidade das águas subterrâneas e à saúde humana. São substâncias moderadamente solúveis em água, relativamente móveis e persistentes em subsuperfície e de uso amplo na indústria, como solvente, desinfetante e desodorante sintético. Os baixos valores de concentrações nas recomendações de potabilidade tornam muitos deles altamente preocupantes em eventos contaminantes.
Cabe mencionar que a maioria dos pesticidas citados nos guias de referência de qualidade, apresentam forte sorção no solo, e pode resultar em baixa probabilidade de contaminação das águas subterrâneas. No entanto, ainda há muitos estudos para serem desenvolvidos, sobretudo em solos tropicais, e à falta de evidências médicas.
Também, temos que ter em mente que aquíferos superficiais são suscetíveis à contaminação microbiológica, e as recomendações da OMS, para a qualidade bacteriológica de água para o corpo humano, não consideram satisfatórias as amostras com presença de bactérias indicadoras: coliformes fecais, em qualquer amostra.
Você que está lendo agora este texto, deve estar atento, pois à época raramente eram citados, hoje os chamados contaminantes emergentes (CE). Essas substâncias tiveram seus alavancados a partir dos anos 2000, pois tornaram-se cada vez mais comuns, devido ao número crescente de geração desses produtos, e consequente descarte no meio ambiente, principalmente nos curssos d'água; no entanto, passsadas duas décadas, ainda há carência de dados referentes à sua ocorência em matrizes ambientais brasileiras.
A expressão contaminantes emergentes é uma alusão aos produtos tóxicos que não são removidos ou eliminados pelos processos tradicionais de tratamento de água, e cuja presença pode causar danos ao meio ambiente e à saúde humana. Entre essas substâncias estão os hormônios endógenos, homônios sintéticos, anticoncepcionais, fármacos de diversas composições, cafeína, sucralose, nanomateriais, bactericídas, protetores solares, produtos de coloração e higiene pessoal, e ozonização de águas, herbicidas e perticidas, e drogas ilícitas.
Os contaminantes emergentes são ainda pouco conhecidos em relação a sua presença, impacto e tratamento, e egundo o professor Eduardo Bessa Azevedo, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, o Brasil ainda não possui uma legislação que determine quantidades seguras desses contaminantes na água. O Professor ainda enfatiza que são substâncias encontradas em pequenas concentrações, mas que, se consumidas por anos, podem trazer algum risco.



