sábado, setembro 26, 2015

O desenvolvimento de poços de monitoramento

Por Manoel Gomes

O DESENVOLVIMENTO ADEQUADO DOS POÇOS DE MONITORAMENTO GARANTE AS PROPRIEDADES HIDRÁULICAS DO POÇO E QUALIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO PROCESSO DE AMOSTRAGEM PARA ANÁLISES QUÍMICAS PARA OS ESTUDOS E EXIGÊNCIAS LEGAIS. 

(HÍDRIA)- O DESENVOLVIMENTO de poço pode ser definido como o conjunto de procedimentos técnicos necessários para que sejam restabelecidas as condições naturais de um meio aquífero que sofreu interferências devido às ações exercidas pelas operações de perfuração.

Sabemos que os poços de monitoramento devem ser construídos de forma racional de acordo com as normas e objetivos para os quais devemos atender em nossos estudos, pesquisas, e exigências legais. Esses poços de monitoramentos devem fornecer informações sobre as:

  • Propriedades geológicas e hidráulicas de aquíferos e aquítardes.

  • Superfícies potenciométricas das unidades hidrogeológicas de interesse.

  • Qualidades das águas subterrâneas nas unidades de interesse.

  • Características de migração de substâncias naturais e/ou antropogênicas nas águas subterrâneas.

No processo de instalação de poços de monitoramento deve-se dar muita atenção ao desenvolvimento desses poços. Muitas vezes esse processo é negligenciado, mal conduzido, e se não bem feito, o poço não fornecerá os dados representativos desejados para se alcançar os objetivos previstos, quanto a hidráulica e hidroquímica do sistema em estudo. Na busca desses dados representativos os poços devem ser muito bem desenvolvidos com a finalidade de:

  • Retificação dos danos, ou seja, entupimentos dos poros da formação.

  • Colmatação da parede do furo ou compactação do furo, causados durante a perfuração que possam alterar a condutividade hidráulica local da formação adjacente (Figura 01).

É de se notar que um dos objetivos do desenvolvimento é corrigir os danos causados na parede do furo durante a perfuração, tais como a camada de materiais mais finos que acumulam na parede do furo quando são usados métodos de perfuração que utilizam fluidos de perfuração.

Seção construtiva esquemática de um poço de monitoramento. O desenvolvimento adequado deve remover as partículas finas provenientes do solo perfurado e do pré-filtro instalado entre o tubo filtro e o solo

Figura 01
Seção construtiva esquemática de um poço de monitoramento. 
O desenvolvimento adequado deve remover as partículas finasprovenientes do solo perfurado e do pré-filtro instalado entre o tubo filtro e o solo.

  • Estabilização do material da formação e da seção filtrante adjacentes ao tubo-filtro do poço (Figuras 02 e 03). Aqui é de se notar que após o desenvolvimento do poço, os materiais da formação em poços desenvolvidos devem se estabilizar, de modo que a entrada de materiais de granulometria fina seja minimizada e que não haja sedimentação no fundo.

    Arranjo dos materiais da formação após o desenvolvimento

    Figura 02
    Arranjo dos materiais da formação após o desenvolvimento.


remoção do líquido perdido durante a perfuração

Figura 03
 Remoção do líquido perdido durante a perfuração.

  • Remoção dos materiais de granulação fina da formação e do pré-filtro, mobilizados durante a instalação do poço, e de fluidos de perfuração que podem interferir na qualidade e representatividade das amostras (Figura 03).

É também de se notar, que quando são usados líquidos de perfuração à base de água, uma fração deles pode infiltrar além da perfuração, para zonas de maior permeabilidade. Um dos objetivos é remover os líquidos de perfuração perdidos para a formação.

  • Maximizar a eficiência do poço e a comunicação entre o poço e a formação adjacente, para se obter dados representativos da hidráulica da formação e qualidade das águas.

No âmbito nacional, temos a norma brasileira ABNT NBR 15495-22 de 21/08/2008. Poços de monitoramento de águas subterrâneas em aquíferos granulares. Parte 2: Desenvolvimento, que trata do desenvolvimento de poços de monitoramento instalados em aquíferos granulares. A norma tem como escopo apresentar o métodos e procedimentos aplicáveis no desenvolvimento de poços de monitoramentos instalados em aquíferos granulares.

Fonte: norma brasileira ABNT NBR 15495-22 de 21/08/2008. Poços de monitoramento de águas subterrâneas em aquíferos granulares. Parte 2: Desenvolvimento.

terça-feira, setembro 08, 2015

Sondagens de reconhecimento dos solos

Por Manoel Gomes

O USO DE SONDAGENS DE RECONHECIMENTO DOS SOLOS PERMITEM CARACTERIZAR E CLASSIFICAR OS SOLOS, PARA PREVER SEUS COMPORTAMENTOS MECÂNICOS, HIDRÁULICOS, E QUÍMICOS.

Amostragem de reconhecimento de solos

Amostragem de reconhecimento de solos.

(HÍDRIA)- Os estudos ambientais de caracterização hidrogeológica devem ser precedidos de estudos para caracterização geológico geotécnica da área de interesse, com objetivo de caracterizar e classificar os solos para prever os seus comportamentos mecânico e hidráulico em obras meio ambiente, conhecendo-se ao mesmo tempo, as suas formas de ocorrência e a geometria das camadas nos locais de estudo.

A base da caracterização é a descrição dos aspectos de interesse durante e após a execução das perfurações que podem feitas por métodos manuais ou mecânicos. 

As descrições realizadas em exposições de solos por escavações e em sondagens, aliadas a ensaios expeditos e de laboratório, permitem elaborar, de forma bastante complexa, mapas e seções representativas dos grupos de solos, quanto à gênese e ao comportamento geotécnico esperado.

Para fins de estudos de contaminação, as amostragens realizadas durante as sondagens devem ser as mais representativas do meio estudado, e são realizadas de acordo com os objetivos dos projetos propostos. 

Nessas amostras podem ser realizadas análises químicas de metais, compostos orgânicos voláteis e semivoláteis, análises físicas de densidade, granulometria, mineralogia, e análises microbiológicas.

No Estado de São Paulo, a CETESB através do Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas, estabelece diretrizes para um plano de amostragem, onde são considerados a distribuição dos pontos de amostragem, número de pontos de amostragem, profundidade de amostragem, quantidade de amostra necessária, amostras simples e compostas, protocolos de amostragem e preparação de amostras de solo, e técnicas de amostragem.

Também, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), publicou as normas NBR 15492 “Sondagem de reconhecimento para fins de qualidade ambiental: Procedimento”, que estabelece os requisitos exigíveis para a execução de sondagem de reconhecimento de solos e rochas para fins de qualidade ambiental.